Eu grito. Grito, grito, grito.
Vim de uma familia de gritões. Pai grita, avó gritava, irmãos gritam.
Mãe, talvez não.
Geralmente, gritos são associados a total falta de razão. Dizer que se grita por seus direitos é balela. Caras pintadas, Adeus !
Quando se está certo, se fala baixo, de forma quase sorrateira, visto que é muito difícil que alguém te escute.
Estamos todos na Bolha do Volpone e o Ney, gran Latorraca, esperto que só, já saiu de lá e hoje, caminha na Lagoa, diariamente.
Aqui onde eu morro, em Iguaba Pequena, abriram uma boite perto do Porto.
Galpão de Senegal é o nome nos letreiros. Supra sumo da noite, horsconcours da mídia, projeto pioneiro com iluminação maravilhosa, a Galpão recebe os formadores de opinião, Djs da Moda, Gays, Artistas, Blogueiros e Imprensa local.
Tudo ali, muito centrado, muito endotérmico.
Falando em "térmico", lá no Galpão ferve. Ferve mesmo.
Filial de um inferno particular, lá já foi bem mais divertido. Antes, um frio glacial. Chic. Hype, essas coisas.
As pessoas iam montadas no look, animadas, alegres.
Tinha uma cercado no mezzanino que era conhecido como área vip.
Agora, lá, só resta a vaquejada, o boi bumbá.
Tinha pulseira identificando os famosos, os que podem pagar, as fervidas, os amigos. Ah, os amigos.
Sem eles era dificil ir ao Galpão de Senegal e agora, com eles, mesmo ao som de Dione Warick cantando que "thats what friends are for" está cada vez mais confuso.
Uma amiga querida, produtora, foi ao Galpão de Senegal outro dia.
E, acusada de ter forjado o não-consumo de uma água, ficou retida na recepção. Brigou, gritou, gritou, gritou.
Ela, como sofre da síndrome de Marie Papier com sua enorme coleção de borrachas cheirosas foi prontamente identificada por um equipe treinadíssima.
Uma poliça "gaysptapo", de vermelho que foi categórica: "Você apagou essa água de 4 reais da sua cartela".
Ela, eis que pára, constrangida, tentou argumentar e sacou da bolsa receitas, tarjas pretas, recibos de cartão, seu curriculum...Mas, nada foi suficiente.
Foi aí, que o seu amigo negro e bem sucedido, casado e com familia estável e endereço certo, pagou a água em seu nome.
Ele, entre os poucos de cor esclarecidos no país, sabe que os sofredores da Sìndrome de Marie Papier sacam de suas bolsas de grife tubos de liquid paper (às vezes, de toque mágico) para apagar consumos irrisórios somente em nome da certificação social do poder.
Já eu, de longe, vendo aquilo tudo, pensei: Será que o calor ameno que faz no dance floor da Galpão de Senegal deixe confusos a todos, além de incitar a manifestação da Síndrome de Marie Papier ?
Ar-condicionado rarefeito, som ensurdecedor de DJ incesada, tranca-rua das carrapetas.....Pessoas com a Síndrome de Marie Papier não podem ficar por aí se expondo.
Muito mais expostos estão os funcionários, gaystapo treinada por agentes com fumaça na cuca vindos da grande metrópole. A Berlin brasileira.
Os cariocas tem que ser treinados. E os sofredores da Sindrome de Marie Papier precisam ser eliminados.
Com calor, mau serviço, eles sairão por aí apagando registros do que é bom; do bom serviço, das boas maneias, das brigas de putas de cabelos canecalon e com isso, deixam o legado da Galpão de Senegal abalado.
Carioca, acostumados com o péssimo tratar não entendem o conceito da Galpão de Senegal, seu bar cheio de Absolut, nem seu bartenders tatuados.
Na Galpão de Senegal, a água é de graça - cai dos tetos, cai das paredes, cai das pessoas, por que então que a pobre produtora apagaria um registro em sua cartela ?
Por 4 reiais, não, jamais.
Isso é doença, está nos livros. Chama-se Sindrome de Marie Papier. Quem não teve coleção de borrachas cheirosas, nem liguid paper ou dry quick ?
Que por fim, cheire, quer dizer, jogue a primeira pedra. Antes que mele.
Tudo ali, ao alcance, no Galpão de Senegal, a boite do momento, no coração de Iguabinha.
Mas, é no Galpão de Senegal que sabemos das notícias da Corte. Lá, fica o registro daqueles que foram para Paris com escala no nordeste, rota nova learjet. Lá, vemos que a agiotagem enlouquece. Que há perfumes ruins até mesmo em grandes vidros. Que agentes (só os sanitários ou os de turismo) é desenvolvem raiva solta sem contato com a dengue ou animais. Que o tráfico de influência é confundido com influenza, gripe que acomete até vitaminados.....lhes deixando desprovidos de je ne sais quois.....enfim, tudo que você não pode viver sem.
Galpão de Senegal, o novo point sem luz. Não saia por aí gritando.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
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4 comentários:
AMEIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!
Andre Garça
Pois é, eu ando ouvindo coisas bizarras sobre essa buatchy de Iguabinha. Pior que tenho uma viagem marcada pra esse sábado.
Por via das dúvidas, vou levar toalhas. E borrachas, claro.
Ai, as áreas Vips no Brasil... Só no Brasil que isso acontece... hahaha
Sindrome de Marie Papier a melhor coisa que ouvi nos últimos tempos....Amei Bombs
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