quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A KZA é da Polly

Eu sempre tive muito medo da noite. Mesmo.
Com isso, fugi de acordar cedo mas, me vi refém.
Quando era menor, por uma manobra de ordem totalmente manipuladora do caçula que vos fala, eu fugi de ir para o São Bento.
Colégio em cima de um morro com pré-adolescentes vestidos de azul claro e calça cinza mescla. Meus irmãos foram, odiavam, rezavam e tinham que enfrentrar um bandeijão.
Isso, se pensarmos que minha mãe, que era uma mulher avant, nos roibia tudo que era da Piraquê, Nabisco, Elma Chips e derivados.
Não podíamos comer Skniny, Cheetos, Cebolitos, nem Deditos.
Geléia de Mocotó só fui comer escondido na casa do vizinho 403.
Me perdi. Ah, lembrei.
De forma estranha, o medo da noite me fez ser um notívago.
Ficava até tarde esperando meu pai, que é médico e, se dividia entre horas de trabalho e assistir ao Jornal da Globo e filmes com o filhote hiperativo.
Assim, assisti a muitos filmes e programas - antes de que me fossse permitido.
Meu pai dormia e (às vezes, permissivo) deixava que eu ficasse ali, ao lado dele, até pegar no sono, pois, eu sempre tinha pesadelos. A noite me afligia.
Os anos se passaram e eu enfrento a noite assim. Passando ela na rua ou em claro.
Não que eu não goste de sonhar mas, para espanto do meu sábio pai: "O medo simbólico da noite passou. E você se tornou meio kamikassi. Se está com medo, se arma e vai"
Os prazeres da noite logo foram incorporados. E, com isso, hoje, eu comemoro um deles.
Estar na noite é jogar bola com os bons. A Polly Simões, a dona da bola, como diz o Ronald sentencia. "Todo mundo tem um bafo que aconteceu na KZA".
A Kza é o aquário de se estar no Zero Zero, no olho do furacão, é como estar em casa.
Mas isso eu conto depois.
A loira de voz grave e sorriso farto, pernas longas e humor impar disse que sou um dos pilotis dessa bagunça.
Só rindo. Se soprar, eu caio.

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